Márcio Canella, que já ocupou o cargo de prefeito em Belford Roxo e é pré-candidato ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi detido em flagrante pela Polícia Federal. A prisão aconteceu nesta terça-feira (7) no Rio de Janeiro, durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, após a descoberta de um fuzil .556 em seu veículo.
Conforme informou a Polícia Federal em comunicado oficial, duas pessoas foram presas por porte ilegal de armamento restrito. Esta operação investiga uma organização criminosa que supostamente utiliza postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para realizar lavagem de dinheiro.
A detenção de Canella tem repercussões diretas nas articulações eleitorais de Flávio Bolsonaro no estado. O ex-prefeito era considerado um dos nomes do União Brasil para concorrer ao Senado, em uma aliança com o PL e setores da direita carioca. A reportagem também explorou o histórico de Márcio Canella e as razões que o levaram à investigação da PF.
Fuzil .556 e as implicações para Flávio Bolsonaro
A nova fase da Operação Unha e Carne traz à tona um aspecto político significativo: o fuzil .556 encontrado no carro do pré-candidato está associado a apreensões recentes ligadas ao Comando Vermelho.
Embora não existam indícios que conectem diretamente a arma apreendida a Canella ou à facção criminosa, o fato relevante é que esse calibre frequentemente aparece em operações contra o crime organizado. Agora, ele também está associado a um aliado que se posicionava para ocupar um papel estratégico na candidatura bolsonarista ao Senado no Rio.
Operação Unha e Carne investiga lavagem bilionária
A Operação Unha e Carne está apurando um esquema suspeito de lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Segundo informações da PF, estima-se que essa rede movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, com base em dados do Relatório de Inteligência Financeira do Coaf.
Nesta 6ª fase da operação, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em locais como Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também ordenou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades comerciais das empresas envolvidas no esquema investigado.
Durante a operação, a Polícia Federal anunciou a apreensão de aproximadamente R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie, além do fuzil sob uso restrito, nove armas curtas, sete computadores, 23 celulares, 11 veículos, joias, relógios e diversos documentos.
Alvos da Unha e Carne incluem aliados no Rio
A investigação já havia revelado conexões entre Flávio Bolsonaro e grupos criminosos como milícias e o Comando Vermelho. Em etapas anteriores da Operação Unha e Carne, figuras como Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio foram implicados.
Recentemente, foi noticiado que a PF prendeu o pastor Márcio Poncio enquanto direcionava investigações para Bacellar e outros envolvidos. Agora, os desdobramentos mais recentes afetam diretamente um nome escolhido para uma posição crucial na campanha senatorial de Flávio Bolsonaro.
Os indivíduos investigados nesta fase poderão enfrentar acusações por organização criminosa, contratação ilegal direta, lavagem de dinheiro e outros delitos ainda não identificados durante as investigações conforme informou a Polícia Federal.
A situação deixa um recado claro para os apoiadores do bolsonarismo no estado: Márcio Canella foi preso portando um fuzil .556 enquanto a PF realiza investigações sobre uma extensa rede de lavagem bilionária relacionada aos postos de combustíveis na região.




