A campanha do presidente Lula considera a aplicação de inteligência artificial nas eleições como uma ferramenta válida para atividades técnicas. No entanto, adverte que a extrema direita tem explorado essa tecnologia para criar deepfakes, montagens enganosas, ataques pessoais e disseminar desinformação. Essa análise foi feita por Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT e membro da equipe responsável pela coordenação da campanha.
Valadares destacou que o cerne da questão não reside na tecnologia em si, mas sim na intenção política por trás de seu uso. Ele expressou preocupação com conteúdos gerados ou alterados por IA que possam distorcer a percepção pública sobre eventos reais e comprometer a integridade das eleições.
“A utilização da Inteligência Artificial nas campanhas eleitorais não é, por si só, problemática. O que realmente importa é como e com qual propósito ela é empregada. Se utilizada como suporte técnico ou ferramenta de edição, por exemplo, é bem-vinda”, declarou Valadares.
Campanha de Lula foca em deepfakes e desinformação
O dirigente do PT ressaltou que o uso inadequado da IA se refere à criação de falsificações, manipulação da verdade e ataques pessoais. Essa preocupação surge no contexto do crescimento de avatares sintéticos e conteúdos gerados por IA no cenário político digital.
“Estamos alertando a Justiça Eleitoral sobre o que é proibido pela legislação: a prática recorrente da extrema direita em realizar deepfakes, montagens absurdas, ataques pessoais e a manipulação da verdade para espalhar desinformação”, explicou.
A Fórum informou que um perfil de IA conhecido como “Dona Maria” acumulou mais de 100 milhões de visualizações ao veicular ataques contra Lula, conforme uma ação apresentada pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Éden Valadares afirma que a verdade será aliada de Lula
De acordo com Valadares, a campanha de Lula busca competir nas eleições através de propostas concretas e programas voltados ao desenvolvimento do país. Para ele, o enfrentamento à manipulação digital será essencial para garantir a integridade do processo eleitoral.
“Temos o melhor candidato e as melhores propostas. Queremos que as eleições sejam uma oportunidade para debater ideias e projetos para o Brasil. Nossa maior aliada é a verdade”, afirmou.
Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu diretrizes para o uso da inteligência artificial na propaganda eleitoral. A Resolução nº 23.755/2026 modifica as normas relativas à propaganda eleitoral e exige informações explícitas, destacadas e acessíveis quando houver conteúdo sintético multimídia gerado ou modificado por IA.
Em um guia sobre as eleições de 2026, o TSE ressalta que essa regulamentação visa evitar a disseminação de conteúdos fabricados ou manipulados que possam propagar informações notoriamente falsas ou fora de contexto, comprometendo assim o equilíbrio das eleições e a integridade do processo eleitoral.
PT enxerga IA como ameaça à lisura das eleições
Segundo Valadares, o uso político das ferramentas de IA pela oposição pode minar a confiança pública no processo eleitoral ao distorcer a realidade dos fatos.
“Estamos preocupados com as táticas adotadas pela campanha adversária, pois elas utilizam ferramentas de IA para alterar a percepção pública sobre os fatos reais, colocando em risco a integridade e transparência das eleições”, completou.
Outro episódio recente observado pela Fórum envolve uma ação do PT contra Flávio Bolsonaro no TSE devido à veiculação de um vídeo com inteligência artificial que tentava associar o partido ao crime organizado. Este caso reforça as contendas jurídicas e políticas em torno do uso dessa tecnologia durante as campanhas eleitorais.




