Carlos Jordy vê seu patrimônio crescer dez vezes: do dinheiro em espécie na chegada à mansão avaliada em R$ 1 milhão

Compartilhe
O patrimônio de Carlos Jordy (PL-RJ) passou por um verdadeiro salto olímpico desde que ele desembarcou em Brasília. Levantamento da Fórum nas declarações de bens entregues pelo parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o bolsonarista multiplicou seus bens por 10,8 vezes entre a eleição que o levou à Câmara, em 2018, e a […]

O patrimônio de Carlos Jordy (PL-RJ) teve um crescimento extraordinário desde sua chegada a Brasília. Uma análise das declarações de bens apresentadas pelo deputado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o bolsonarista aumentou seu patrimônio em 10,8 vezes entre a eleição que o levou à Câmara em 2018 e a atual disputa para 2026.

Jordy começou com uma declaração modesta de R$ 102 mil, mas agora apresenta um total de R$ 1.105.163,23 à Justiça Eleitoral. Esse crescimento impressionante é impulsionado principalmente por um novo ativo que não estava presente em suas declarações anteriores: uma casa em Niterói avaliada em R$ 1.071.000,00, a qual representa cerca de 97% do seu patrimônio declarado atualmente.

Em termos nominais (sem correção pela inflação), a valorização é de notáveis 983,5%. No entanto, a evolução patrimonial de Carlos Jordy revela informações ainda mais intrigantes quando analisamos sua relação com dinheiro em espécie, uma prática frequentemente associada ao bolsonarismo e que vem sendo investigada.

O começo: servidor público e R$ 158 mil “debaixo do colchão”

Para compreender esse crescimento patrimonial, é importante voltar a 2016, quando Jordy se candidatou pela primeira vez ao cargo de vereador em Niterói pelo extinto PSC. Naquela época, como servidor público federal, ele declarou um total de R$ 208 mil em bens.

A curiosidade não está apenas no montante total, mas na forma como ele estava armazenado. Desse valor, impressionantes R$ 158 mil (76% do total) estavam guardados como “dinheiro em espécie”. Na ocasião, ele não possuía imóveis e o restante consistia em um carro popular (Peugeot) avaliado em R$ 20 mil e R$ 30 mil mantidos no banco Santander.

Dois anos mais tarde, impulsionado pela onda da extrema direita nas eleições de 2018, Jordy foi eleito deputado federal pelo PSL. Curiosamente, seu patrimônio declarado caiu para R$ 102 mil — metade do valor anterior. Contudo, o apetite por dinheiro vivo continuou: R$ 84 mil desse total ainda estavam sob a forma de espécie (82,4% do patrimônio).

A ascensão do patrimônio de Carlos Jordy na capital federal

Durante seu mandato na Câmara dos Deputados, suas finanças começaram a mostrar uma nova dinâmica e a se diversificar. Na reeleição ocorrida em 2022, o valor guardado em espécie caiu para R$ 20 mil e seu patrimônio total subiu levemente para R$ 122.222,35, agora investido em fundos e consórcios.

A partir do segundo mandato e durante sua tentativa frustrada de se tornar prefeito de Niterói em 2024, os números começaram a crescer rapidamente. Até esse ano, seus bens declarados já ultrapassavam os R$ 274.978,75 — um aumento considerável impulsionado por aplicações financeiras e consórcios.

A casa do milhão e a falta de transparência

No entanto, o verdadeiro “milagre” financeiro ocorreu nas eleições de 2026. Em apenas dois anos (2024-2026), o deputado acrescentou mais de R$ 830 mil ao seu patrimônio — um crescimento impressionante de 302% nesse período.

A responsável por catapultar Carlos Jordy ao status de milionário é a recém-declarada “Casa em Niterói”, estimada por ele em mais de R$ 1 milhão. Os demais ativos listados nesta declaração são praticamente simbólicos quando comparados ao imóvel: cerca de R$ 34 mil aplicados no Banco do Brasil e no Santander.

Como é comum nas declarações do TSE, as informações fornecidas por Jordy são escassas. Não há dados disponíveis sobre como o imóvel foi adquirido — se através de financiamento ou pagamento à vista — ou qual foi a origem dos recursos utilizados nessa significativa aquisição num curto período.

A evolução patrimonial por si só não configura crime; no entanto, levanta questionamentos políticos pertinentes. O político que iniciou sua carreira pública escondendo grandes somas de dinheiro em notas agora chega perto de uma década no poder ostentando bens que muitos dos seus eleitores provavelmente nunca conseguiriam acumular ao longo da vida inteira.

Resumo: O salto patrimonial de Carlos Jordy no TSE

  • 2016: R$ 208.000,00 (Incluindo impressionantes R$ 158 mil em espécie)
  • 2018: R$ 102.000,00 (R$ 84 mil mantidos como dinheiro vivo)
  • 2022: R$ 122.222,35 (Mudança para investimentos financeiros)
  • 2024: R$ 274.978,75 (Patrimônio dobrando com foco na renda fixa)
  • 2026: R$ 1.105.163,23 (Adição da casa avaliada em R$ 1 milhão)

Leia também