O senador e pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, demonstrou uma reação intensa e agressiva em resposta ao instituto Quaest, que apresentou, nesta quarta-feira (15), um novo estudo revelando uma queda significativa nas intenções de voto a seu favor, incluindo entre os eleitores que se identificam como de direita.
Por meio de suas redes sociais, Flávio Bolsonaro criticou o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que sugeriu a criação de um “selo de acerto” para os institutos de pesquisa. O senador aproveitou a oportunidade para atacar diretamente a Quaest.
“Parabéns ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, pela proposta do ‘selo de acerto’ para os institutos de pesquisa que acertarem mais frequentemente os resultados das eleições. Talvez, se esse selo já existisse, a publicação da pesquisa da Quaest hoje teria sido evitada. Essa pesquisa deve ser reflexo da felicidade do povo brasileiro com Lula: preços altos dos alimentos, ninguém mais se preocupa com a violência no país e nenhum brasileiro está endividado.”
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2077417019104809255
Resultados da Pesquisa Quaest: Lula avança entre “independentes” enquanto Flávio recua entre bolsonaristas
A pesquisa realizada pela Quaest e divulgada nesta quarta-feira (15) evidenciou que Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou impactos negativos tanto devido ao efeito Daniel Vorcaro quanto ao efeito causado pelo vídeo da madrasta Michelle Bolsonaro (PL), que afetou seu apoio no eleitorado bolsonarista. Com as crises na pré-campanha adversária beneficiando-o, Lula viu um crescimento expressivo entre os eleitores identificados como “independentes”, aqueles que não se alinham a nenhum dos lados políticos tradicionais e podem influenciar a decisão eleitoral.
Desde maio, data em que foram reveladas informações sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ligado ao escândalo do Master, Lula teve um aumento de 11 pontos percentuais em suas intenções de voto entre os independentes, subindo de 29% para 40% para o segundo turno.
Já Flávio Bolsonaro viu sua taxa cair de 29% em maio para 27%, após ter atingido 24% em junho.
A divulgação do vídeo onde Michelle Bolsonaro expõe desavenças com Flávio em 24 de junho provocou novos danos à imagem do senador. Entre aqueles que se autodenominam “bolsonaristas”, ele registrou uma queda de 6 pontos percentuais, passando de 97% para 91% de apoio.
No segmento da direita não ligada a Bolsonaro, o impacto do vídeo amplificou os efeitos negativos já causados por Vorcaro, resultando numa redução de 16 pontos percentuais desde abril: ele passou de 90% para apenas 74% atualmente.
A pesquisa foi conduzida com 2.004 entrevistados em 120 municípios entre os dias 10 e 13 de julho. Com um nível de confiabilidade de 95%, a margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais. A pesquisa foi solicitada pela Genial Investimentos e registrada no TSE sob o número BR-7181/2026.
Análise sobre o Vídeo de Michelle
A Quaest revelou que Michelle Bolsonaro conta com o apoio de 42% dos entrevistados no embate público contra Flávio Bolsonaro, enquanto apenas 18% afirmaram estar mais alinhados ao senador do PL-RJ.
Esse resultado denota uma vitória significativa para Michelle na percepção pública durante as disputas familiares envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A questão foi feita aos participantes após a veiculação do vídeo onde Michelle descreve ter recebido um tratamento ríspido por parte de Flávio durante discussões internas do PL.
A vantagem desfrutada por Michelle sobre Flávio surge após semanas repletas de desentendimentos públicos dentro do bolsonarismo. O conflito teve início quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo alegando que o senador havia agido com grosseria durante conversas sobre decisões políticas e partidárias.
A crise culminou na saída de Michelle da presidência nacional do PL Mulher, evidenciando disputas pelo controle desse segmento dentro da sigla e forçando Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, a intervir para conter os danos gerados pelas desavenças familiares.
Os dados obtidos pela BTG/Nexus corroboram outras pesquisas realizadas após o rompimento familiar. Um levantamento anterior da Meio/Ideia já indicava que a maioria dos eleitores cientes sobre o vídeo acreditava na versão apresentada por Michelle acerca do tratamento recebido.
Da mesma forma, uma pesquisa da AtlasIntel apontou que muitos entrevistados consideravam que Michelle havia sido humilhada por Flávio. Esses resultados sugerem que as tentativas do senador em contestar sua madrasta não foram suficientes para alterar a impressão negativa gerada pelo ocorrido.




