Nesta quarta-feira (27), o Congresso Nacional está analisando o relatório final da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa abolir a escala 6×1. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que a votação do texto deve ocorrer ainda hoje no plenário.
Entretanto, uma manobra articulada pelo PL, liderada por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), pode atrasar a tramitação da PEC e, em um desfecho desfavorável, inviabilizar totalmente a proposta.
Na terça-feira à noite (26), durante seu discurso no plenário, o líder do PL anunciou que seu partido apresentaria uma emenda na quarta-feira sugerindo a adoção da escala 4×3, o que comprometeria não apenas o projeto como também todos os acordos estabelecidos até aquele momento.
Diante disso, formou-se um intenso embate entre os bolsonaristas, contrários ao fim da escala 6×1, e os partidos aliados ao governo, que estão em apoio à PEC. Essa proposta é iniciativa da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ).
Nikolas Ferreira tem sido um dos principais opositores nessa disputa, tecendo críticas contundentes aos parlamentares que apoiam a PEC. Ele dirigiu ofensas ao vereador Rick Azevedo, chamando-o de “vagabundo”:
“Até ontem tava falando que queria a 4×3. Obrigado por mostrar que a luta de vocês é POPULISMO sem responsabilidade. Agora o povo vai saber que VOCÊS são responsáveis por quebrar o país, seu vagabundo.”
Em resposta, Rick Azevedo se defendeu e apresentou sua visão sobre os fatos:
“Acha que tá arrasando? O único VAGABUNDO aqui é você, Nikolas. Sou a favor da 4×3 e continuarei sendo. Você e seu partidinho de quinta tratam o trabalhador como lixo enquanto se esbaldam nos privilégios que ele paga. O fim da escala 6×1 será uma vitória do povo APESAR DO PL.”
Nikolas Ferreira critica manobra dos bolsonaristas com proposta de escala 4×3: “que a quebradeira comece antes das eleições”
Em um vídeo repleto de ironias e clichês neoliberais, Nikolas Ferreira (PL-MG) denunciou a estratégia dos bolsonaristas liderados por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que sugerem a adoção da escala 4×3 — com três dias de folga para quatro trabalhados — como forma de obstruir o Projeto de Lei que busca extinguir a escala 6×1.
No material audiovisual, Ferreira desqualifica essa medida em favor dos trabalhadores e repete as máximas neoliberais veiculadas pela mídia liberal e setores econômicos influentes, argumentando que “uma medida populista hoje pode resultar em desemprego amanhã” e reforçando que “não existe almoço grátis na economia”, frase famosa do economista Milton Friedman.
Ademais, menciona que os bolsonaristas consideraram apoiar o PL para evitar desgaste perante a sociedade durante as eleições — ou seja, para não prejudicar suas chances eleitorais. Ferreira revela assim a manobra com a proposta da escala 4×3 sem nenhum respaldo técnico adequado.
“Existe um meio de abrir os olhos das pessoas que é apoiar, não somente a 5×2, mas apoiar a 4×3, que seja vigorado amanhã e que a quebradeira comece antes das eleições”, enfatiza Nikolas ao afirmar que muitas vezes é necessário piorar para depois melhorar.
“Ou seja, nós não vamos apoiar porque concordamos com essa medida populista irresponsável. Queremos deixar claro que quando as coisas derem errado, a culpa será deles”, conclui ele ao expor sua estratégia.
Contradições
O líder do PL anunciou na terça-feira (26) sua intenção de defender a votação da PEC 8/2025 com foco na aprovação da escala 4×3 durante as discussões sobre o fim da escala 6×1.
Essa movimentação ocorre às vésperas de uma reunião agendada para esta quarta-feira (27), às 10h30, onde será debatido e votado o parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) sobre a redução da jornada de trabalho.
A mudança de postura evidencia uma contradição no discurso do líder bolsonarista. O PL adotou uma nova posição para tumultuar as discussões e passou a defender agora a escala 4×3 após resistir anteriormente à proposta que elimina a escala 6×1.
Em uma publicação nas redes sociais X, Sóstenes afirmou estar “ao lado do trabalhador brasileiro” e mencionou que após reunião com sua bancada decidiu promover “a votação da PEC 8/2025 com destaque preferencial para avançarmos na escala 4×3”.
A contradição foi ressaltada pelo deputado Thiago Süssekind (União-RJ), que destacou publicamente essa mudança no posicionamento do líder do PL referente ao debate sobre o fim da escala 6×1.
Sóstenes ainda compartilhou um post de Nikolas Ferreira expondo essa manobra considerada cruel.
Escala 4×3 utilizada como instrumento político contra Lula
Ao defender neste momento crucial a implementação da escala 4×3, Sóstenes busca reverter um desgaste político. O partido que antes se opunha à redução da jornada agora acusa PT, PSOL e o governo Lula de não apoiarem uma proposta mais benéfica aos trabalhadores.
A movimentação acontece em meio à crescente pressão social pela eliminação da escala 6×1 — modelo atual onde os trabalhadores atuam seis dias seguidos com apenas um dia de descanso. Essa pauta ganhou destaque no Congresso após mobilizações populares e se tornou uma das principais reivindicações trabalhistas deste ano.
A proposta apresentada pelo relator visa extinguir definitivamente a escala 6×1 ao estabelecer dois dias de folga por semana. Já as ações promovidas por Sóstenes e pelo PL visam deslocar o foco das discussões para a escala 4×3 transformando uma demanda legítima dos trabalhadores em um instrumento para desgastar politicamente o governo Lula.




