A queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é atribuída, conforme a análise da Quaest, a um fator crucial: o aumento dos preços dos alimentos no dia a dia da população. A percepção é de que o desgaste do governo decorre mais da vivência real das pessoas nas compras do supermercado do que de indicadores econômicos mais amplos.
Felipe Nunes, CEO da Quaest, ao discutir os resultados da pesquisa, destacou esse aspecto como fundamental para compreender a diminuição da avaliação positiva sobre o governo. A lógica é bastante clara: quando os preços dos alimentos sobem, o efeito é imediato e visível, gerando um impacto político mais forte do que as meras estatísticas econômicas.
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O impacto financeiro supera as declarações oficiais
Esse aspecto ajuda a elucidar por que a avaliação do governo pode se deteriorar mesmo em contextos onde há sinais positivos em outras áreas. O eleitor analisa a economia não apenas por meio de dados como emprego, PIB ou comunicados do governo, mas principalmente pelo custo de vida.
Na prática, os supermercados se tornaram um termômetro político. Quando os itens essenciais pesam mais no orçamento familiar, a sensação de dificuldade financeira aumenta. Essa percepção acaba influenciando a imagem do presidente.
Esse recorte foi evidenciado em análises previamente publicadas pela Revista Fórum, que destacou o impacto dos preços dos alimentos na diminuição da aprovação de Lula. Além disso, outra parte da mesma pesquisa revelou que 81% dos entrevistados desejam mudanças no governo antes das próximas eleições.
A importância dos alimentos na avaliação pública
A explicação para essa realidade é simples: a inflação nos preços dos alimentos afeta diariamente todas as classes sociais, especialmente as famílias de baixa renda. Diferentemente de outros indicadores econômicos, essa situação é facilmente perceptível. Ela se reflete nos preços da carne, leite, ovos, café e outros produtos essenciais.
Dados recentes do IBGE corroboram esse cenário. Em março de 2026, o instituto reportou que o setor de Alimentação e Bebidas teve um aumento de 1,56% no IPCA do mês, com uma pressão significativa vinda dos preços da alimentação no domicílio, que avançaram 1,94%, segundo informações fornecidas pelo órgão federal.
Dessa forma, a pesquisa da Quaest aponta este fator como determinante para a desaceleração na popularidade de Lula. Mais do que questões políticas ou disputas narrativas, o que realmente pesa na opinião pública é a percepção generalizada de que os custos estão mais altos e que o orçamento das famílias está comprometido devido à elevação nos preços dos alimentos.




