Na última terça-feira, 14 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a sanção do novo Plano Nacional da Educação (PNE) em uma cerimônia no Palácio do Planalto. Este plano estabelece um roteiro estratégico para a educação no Brasil ao longo da próxima década, fundamentado na Constituição. Entre as diretrizes, destacam-se ações que visam aumentar o investimento público em educação, com a meta de alcançar 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até o sétimo ano e atingir 10% até o final do período.
O novo PNE é composto por 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. Com isso, o plano marca o início de uma fase de transformação educacional, promovendo diretrizes claras, melhor coordenação entre os níveis federativos e um compromisso político voltado para aprendizagem, inclusão e equidade. As propostas também incluem a integração do Sistema Nacional de Educação (SNE), que foi aprovado pela Lei Complementar nº 220/2025, em torno de objetivos e estratégias comuns entre a União, estados, Distrito Federal e municípios.
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Elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), o projeto de lei que originou o novo PNE pretende ir além de um documento formal; ele busca evidenciar a crença do país no potencial transformador da educação. O governo se comprometeu a agir com responsabilidade, transparência e alocação adequada de recursos para cumprir os objetivos estabelecidos. Muitas das metas apresentadas são provenientes de programas já em execução pela pasta nesta gestão federal, como é o caso do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).
Durante a solenidade de sanção do PNE, Lula enfatizou a relevância da vigilância contínua da sociedade para assegurar a implementação eficaz do plano durante os próximos dez anos. “Saímos daqui com um compromisso, para que isso seja realizado em dez anos. Mas se não cuidarmos e fiscalizarmos, as coisas não vão acontecer. Por isso, deixo também uma responsabilidade aos nossos estudantes e professores para que acompanhem essa lei”, declarou Lula.
“Saímos daqui com um compromisso, para que isso seja realizado em dez anos. Mas se não cuidarmos e fiscalizarmos, as coisas não vão acontecer”, afirmou Lula.
As prioridades delineadas no novo PNE abrangem temas fundamentais como alfabetização, trajetórias escolares, infraestrutura educacional, conectividade digital e formação dos profissionais da educação. Além disso, há um foco claro na adequação financeira em relação ao PIB nacional.
Dentre as expectativas geradas pelo plano está a meta de garantir que pelo menos 80% das crianças estejam alfabetizadas ao término do segundo ano do ensino fundamental até o quinto ano de implementação do plano. A universalização da alfabetização na idade apropriada deve ser alcançada até o final da década. O plano também propõe garantir níveis adequados de aprendizado em matemática entre outras iniciativas.
O PNE abrange todas as etapas educacionais desde a infância até a pós-graduação, reconhecendo ações que promovem alfabetização eficiente e valorização dos docentes enquanto asseguram conectividade e sustentabilidade socioambiental. O novo modelo combina objetivos ambiciosos com ferramentas concretas para monitoramento e implementação conjunta entre as esferas governamentais.
Histórico
Várias metas contidas neste novo PNE derivam de políticas já estabelecidas pelo Ministério da Educação durante esta gestão federal; um exemplo é o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). A proposta prevê a alfabetização de pelo menos 80% das crianças ao final do segundo ano do ensino fundamental até seu quinto ano de vigência enquanto busca universalizar esse processo até o fim da década. Outras iniciativas incluem assegurar níveis adequados de aprendizado em matemática.
“Este novo texto traz inovações significativas; uma delas é a qualidade no aprendizado. Também enfatizamos equidade para que ninguém fique para trás no sistema educacional; isso inclui atenção especial à educação indígena, quilombola e rural”, explicou Camilo Santana, senador e ex-ministro da Educação durante a formulação do PNE apresentado ao Congresso Nacional.
Pela primeira vez na história dos Planos Nacionais da Educação, foram definidas metas voltadas à redução das desigualdades educacionais com um foco claro na equidade presente em todos os objetivos propostos. As disparidades no aprendizado entre diferentes grupos sociais definidos por raça/cor, sexo ou condição socioeconômica são abordadas como parte integral das metas estabelecidas.
No escopo do PNE estão ações direcionadas à educação infantil até pós-graduação em diversas modalidades educativas que promovem valorização docente e sustentabilidade socioambiental junto à melhoria das infraestruturas educacionais básicas. O novo modelo associa metas desafiadoras com métodos práticos para sua execução eficaz através do monitoramento constante.
Infraestrutura escolar – Entre as ações planejadas está a criação do Programa Nacional de Infraestrutura Escolar com suporte federal colaborativo; assegurar condições mínimas de operação nas escolas públicas básicas até três anos após a sanção; destinar pelo menos 85% dos recursos desse programa à educação básica; além de priorizar situações críticas nas infraestruturas escolares. O financiamento deste programa virá dos excedentes das receitas oriundas do petróleo e gás natural destinados à educação bem como por meio de orçamentos federais adicionais.
Educação integral – Ao contrário do plano anterior que visava oferecer educação integral apenas em 50% das escolas públicas atendendo 25% dos alunos, o novo PNE estipula que metade das escolas esteja funcionando em tempo integral com 35% das matrículas disponíveis nessa modalidade após cinco anos. Até o fim da década espera-se alcançar 65% das escolas operando nesse formato com metade dos alunos brasileiros participando dessa jornada mínima semanal de sete horas para promover seu desenvolvimento integral.
EPT – O plano também estabelece avanços na educação profissional e tecnológica (EPT), detalhando metas relacionadas ao acesso à qualidade dessa formação. Um dos objetivos é expandir até 2036 a oferta integrada ou concomitante da EPT técnica ao ensino médio para pelo menos metade dos estudantes dessa etapa escolar. Para apoiar os entes federativos na realização dessa meta foi criado o programa Juros por Educação permitindo renegociações de dívidas municipais direcionando recursos à expansão das matrículas na EPT no nível médio. Além disso, prevê-se uma ampliação de 60% nas matrículas nos cursos subsequentes além da meta anual de três milhões de matrículas em cursos técnicos profissionais.
Cronograma – Dentro de 120 dias após a sanção será criada uma instância tripartite pelo MEC enquanto os estados formarão instâncias bipartites próprias. Em até seis meses após isso será apresentado o primeiro plano operacional pela União seguido pela aprovação dos planos decenais por estados e municípios num prazo máximo totalizando quinze meses desde a sanção inicial onde também será publicado um relatório bienal inaugural pelo Inep sobre seu progresso monitorado.
Monitoramento – Cada ente federativo deverá desenvolver um plano bianual vinculado às suas metas educacionais inclusive quanto à alocação orçamentária correspondente. O Inep publicará periodicamente índices sobre o cumprimento dessas metas por unidade federativa assegurando ampla divulgação pública enquanto se criará uma plataforma nacional dedicada à transparência reunindo planos ações relatórios monitorados relacionados ao PNE.
Participação social – O projeto legal referente ao novo PNE é resultado das contribuições recebidas através do Grupo de Trabalho (GT) instituído pela Portaria nº 1.112/2023 além dos diálogos contínuos realizados com representantes da sociedade civil assim como membros dos Congressos estaduais e municipais incluindo conselhos educativos locais considerando também as sugestões surgidas durante Conferência Nacional de Educação (Conae) realizada em janeiro desse ano precedida por conferências municipais intermunicipais estaduais nessa mesma temática.




