A empresária e lobista Roberta Luchsinger expressou, em uma entrevista recente, seu desejo de realizar um acordo de delação premiada que, segundo ela, não isentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A Polícia Federal investiga Roberta e Lulinha por possíveis atos de tráfico de influência dentro do governo. Aos 41 anos, a diretora da RL Consultoria e Intermediações foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e a determinação de uso de tornozeleira eletrônica na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

“A Polícia Federal terá minha total colaboração para realizar seu trabalho investigativo. Não vou poupar ninguém, nem o presidente da República, que considero um grande mau caráter e mentiroso. Não hesitarei em incluir o filho de presidente, pois a verdade é o que importa”, declarou Roberta.

Quando indagada sobre o que poderia adicionar às investigações, a empresária destacou que existem “detalhes” que não foram registrados em suas conversas pelo WhatsApp.

“O que posso trazer? Talvez informações que não estão nas mensagens, pois a vida não se resume ao WhatsApp; interagimos no cotidiano, discutimos projetos e temos conhecimento de diversas situações. Muitas vezes, podemos contribuir com o que apenas observamos, mesmo que não tenhamos participado diretamente”, explicou.

Durante a entrevista, Roberta reafirmou sua intenção de formalizar um acordo de delação e alegou que o poder público está sendo utilizado contra ela.

“Quando a Justiça julgar que é o momento certo, estarei pronta para colaborar. Desejo fazer uma delação premiada porque não sou filha de nenhum presidente. Sou uma mulher com duas filhas e estou enfrentando uma máquina pública que está sendo direcionada contra mim”, acrescentou.

A reportagem tentou contato com o Palácio do Planalto e a defesa de Fábio Luís Lula da Silva para obter uma posição sobre as declarações de Roberta, e o espaço segue aberto para respostas.

Lula critica Roberta e a chama de “pilantra”

Em entrevistas anteriores, o presidente Lula se referiu a Roberta como “pilantra” e a comparou a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

“Pelo que sei, ela é uma pilantra muito grande. Sua trajetória se assemelha à de Vorcaro, que enganou muitas pessoas. Ela parece ser o Vorcaro feminino, pois também conseguiu ludibriar muita gente”, afirmou Lula.

Em resposta, Roberta criticou Lula e afirmou que ele demonstrou “mau-caratismo” ao chamá-la de “pilantra” em uma transmissão ao vivo.

“Não serei o bode expiatório que querem transformar em mim. Se cometi um crime, responderei por isso e me defenderai, conforme o devido processo legal, que, aliás, é algo que o presidente sempre menciona, mas que, no caso dos outros, parece ser diferente”, concluiu.

Em uma nota, a assessoria de comunicação do presidente Lula afirmou que ele “desconhece totalmente os fatos mencionados pela senhora Roberta Luchsinger”. “Como já foi esclarecido anteriormente, nunca teve qualquer contato com ela, não recebeu suas solicitações e não tem conhecimento de supostas negociações mencionadas. É importante ressaltar que não existe qualquer contrato do governo federal com Roberta”, prossegue a nota.

“Causa estranheza que essas declarações sejam feitas justamente nas vésperas do segundo turno eleitoral. O Brasil já presenciou, em outros pleitos, denúncias sem provas, utilizadas como ferramentas para manipulação da opinião pública. Repetir esse comportamento representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na escolha livre dos eleitores.”

A defesa de Fábio Luís, o Lulinha, também negou quaisquer irregularidades e afirmou que sua relação com ministros sempre foi de natureza pessoal. Além disso, enfatizou que as alegações de Roberta “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades” e que “comprovará sua inocência nos autos”.

Fábio Luís Lula da Silva não cometeu irregularidades e disponibilizou seus dados bancários, fiscais e telemáticos, colocando-se à disposição da Justiça desde o início das investigações. Sua relação com políticos, incluindo ministros de Estado, é puramente pessoal e deriva de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca ilegal ou antirrepublicana.

As recentes declarações de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso reflete, mais do que qualquer coisa, sua insatisfação tanto com as afirmações do presidente sobre seu caráter quanto, compreensivelmente, em relação ao contínuo ataque resultante de vazamentos criminosos que visam controlar a pauta da mídia em período eleitoral.

Em relação às investigações, tudo indica manipulação e direcionamento: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta na apuração do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís antes mesmo de Roberta conhecê-lo, até os vazamentos ilegais que têm ocorrido.

Assim como em acusações anteriores, Fábio Luís demonstrará sua inocência nos autos, com base em dados e provas concretas.