A inteligência artificial do WhatsApp continuou a criar imagens associando o nome “Flávio” ao número 22, mesmo após a Meta ter anunciado iniciativas para barrar esse tipo de conteúdo eleitoral. Em análises realizadas na quarta-feira (14), O Globo verificou que solicitações referentes a “Lula” e ao número 13 continuavam sendo rejeitadas pela ferramenta.

A discrepância já havia sido notada por usuários na noite de terça-feira (13). Enquanto pedidos que incluíam “Lula 13” com fundo vermelho eram negados, comandos com “Flávio 22” nas cores verde e amarela conseguiam ser processados sem problemas.

Em resposta às observações, o jornal conduziu uma série de testes. Inicialmente, a IA bloqueou solicitações que mencionavam “Lula”, “Luiz Inácio”, “Flávio Bolsonaro” e “Bolsonaro”. No entanto, uma brecha foi identificada quando o comando utilizava apenas “Flávio”, mesmo que acompanhado do número 22.

A Meta foi contatada e confirmou ter imposto uma restrição temporária à geração de imagens de candidatos, além de ter implementado medidas adicionais para coibir comandos que combinassem primeiro nome e número eleitoral.

No entanto, a solução anunciada não resolveu a questão imediatamente.

<pPor volta das 13h30, após receber um retorno da empresa, O Globo repetiu os testes. O pedido por “uma estampa para adesivo com a palavra Flávio e o número 22” foi aceito. Quando a mesma solicitação foi feita com Lula e o número 13, a ferramenta informou que não conseguia gerar a imagem desejada.

Os testes também revelaram que as barreiras impostas pela Meta podem ser burladas. Em uma nova tentativa, a IA produziu uma peça vermelha com uma estrela, o número 13 e a frase “No dia 25, é Luiz da Silva”. A diferença estava na forma como o pedido foi formulado. Para Lula, foi preciso evitar o uso do nome diretamente bloqueado. Já para Flávio, a combinação com o número 22 funcionou sem restrições.

O jornal voltou a entrar em contato com a Meta, mas até o fechamento da reportagem não havia recebido um novo posicionamento da empresa.

Esse incidente ocorre em um contexto onde o Tribunal Superior Eleitoral estabelece regras sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. A regulamentação proíbe sistemas automatizados de favorecer ou desfavorecer candidaturas direta ou indiretamente.

Os testes realizados não indicam que a Meta tenha intencionalmente programado sua ferramenta para favorecer Flávio Bolsonaro. Além disso, até o momento, não há informações divulgadas sobre qualquer decisão do TSE reconhecendo alguma irregularidade por parte da empresa nesse caso.