Mais frio que o espaço sideral, incapaz de abrir uma planilha e disponível pela nuvem para quem quiser testar; Veja essas e outras curiosidades apontadas pela Claranet no Brasil sobre a computação quântica, tema que saiu do laboratório e entrou na pauta corporativa brasileira
A imagem mais conhecida de um computador quântico é a de um lustre dourado pendurado dentro de um cilindro, cercado de cientistas de jaleco. A foto é real, mas engana. Aquele lustre não é o computador: é o sistema de refrigeração e a fiação que o mantêm funcionando, e o processador propriamente dito é um chip pequeno preso na ponta de baixo da estrutura. Mal-entendidos como esse acompanham o tema desde sempre e ficaram mais caros agora que ele deixou de ser ficção científica. Em janeiro deste ano, a Instrução Normativa ITI nº 35/2026 determinou que a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, base da assinatura digital e da certificação no país, comece a migrar para algoritmos preparados para a era quântica.
Para tirar a computação quântica do campo do imaginário, a Claranet no Brasil, especializada em cloud, dados, IA e cibersegurança, reuniu cinco curiosidades sobre como essa tecnologia realmente funciona:
1. Não é um computador mais rápido, é um computador diferente: um computador comum processa informação em bits, que só podem ser 0 ou 1 de cada vez. O quântico usa qubits, que exploram propriedades da física para representar combinações de 0 e 1 ao mesmo tempo e testar vários caminhos em paralelo. Isso não o torna melhor em tudo. Para abrir um e-mail, rodar uma planilha ou processar uma folha de pagamento, qualquer notebook é mais eficiente. A vantagem aparece em uma classe diferente de problemas, como simular o comportamento de moléculas, otimizar rotas com um número gigantesco de combinações possíveis e fatorar números muito grandes.
2. Ele precisa ser mais frio que o espaço sideral: os qubits mais usados hoje só se comportam de forma previsível a temperaturas próximas do zero absoluto, na casa dos milésimos de kelvin. É mais frio que o espaço interestelar, que fica em torno de 2,7 kelvin (aproximadamente -246,15 °C). Manter esse frio exige refrigeradores de diluição do tamanho de um armário, com blindagem contra vibração e campo magnético. Por isso a máquina não cabe em uma sala de servidores comum nem em um data center convencional. Não ainda.
3. Computação quântica não é melhor que a inteligência artificial: as duas costumam aparecer na mesma frase, mas resolvem problemas diferentes por caminhos diferentes. A IA aprende padrões a partir de grandes volumes de dados e roda em hardware clássico, principalmente placas gráficas. A computação quântica muda a natureza do cálculo em si. Uma não substitui a outra e nenhuma das duas depende da outra para avançar. A confusão tem custo prático, porque leva empresas a esperar de uma tecnologia aquilo que só a outra entrega.
4. O qubit é frágil e dura pouco: vibração, calor ou um campo magnético bastam para que um qubit perca seu estado, fenômeno chamado decoerência. Nas máquinas atuais esse estado se sustenta por microssegundos, tempo suficiente para uma sequência curta de operações antes de o cálculo se degradar. Por isso boa parte dos qubits de um processador não é usada para calcular, e sim para corrigir os erros dos outros, e por isso também o número de qubits cada vez maior anunciado por um fabricante diz menos sobre a capacidade real da máquina do que parece.
5. Já dá para rodar um programa quântico hoje, pela nuvem: não é preciso comprar hardware nem montar laboratório. Os grandes provedores de nuvem, entre eles a AWS, oferecem acesso sob demanda a processadores quânticos reais, com cobrança por execução, na mesma lógica de contratação de capacidade de processamento tradicional. Universidades, empresas e áreas de pesquisa corporativa já usam esse modelo para testar algoritmos. É por esse caminho que a tecnologia deve chegar às empresas, muito antes de qualquer máquina física atravessar a porta.
“Tecnologia complexa costuma chegar às empresas por dois extremos, ou como ameaça iminente ou como promessa de milagre, e os dois atrapalham a decisão na mesma medida. Com a computação quântica não é diferente. Antes de discutir investimento, prazo ou risco, alguém precisa explicar o que a máquina faz e, principalmente, o que ela não faz”, afirma Felipe Louzas, Head de Marketing e Product Marketing da Claranet no Brasil.
Para o executivo, entender a tecnologia é o que separa a decisão informada da reação apressada. “Não existe decisão de compra nesse tema hoje, e isso é uma boa notícia, porque dá para aprender sem pressa e sem gastar caminhões de dinheiro, o que é raro em tecnologia. Daqui a alguns anos, quando o assunto virar linha de orçamento, a diferença vai estar entre quem usou esse tempo e quem não usou”, completa Louzas.
Sobre a Claranet
A Claranet é uma provedora global de serviços de tecnologia com um propósito claro: impulsionar o futuro digital dos clientes. Com expertise em Cloud, AI, Data, Cybersecurity, Applications e Workplace, atua de forma consultiva, apoiando empresas em todas as etapas na jornada da transformação digital, desde a estratégia até a implementação de soluções personalizadas, com eficiência.




